Morango de Atibaia passa a ter certificação nacional de qualidade
09/06/2008
Mais saudável e com menos agrotóxicos. Este é o novo cenário da produção de morangos em Atibaia. Pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu normas de cultivo da fruta com redução de praticamente 60% no uso de fertilizantes e sem herbicidas. "Pensamos em produzir melhores produtos", diz Humberto Rosente, secretário de Agropecuária e Abastecimento de Atibaia.
Esse novo método faz parte da Produção Integrada do Morango (Pimo), procedimentos que envolvem a análise de solo em todas as fases da produção, desde a escolha de sementes, análise da água e, também, um acompanhamento da colheita e distribuição da fruta aos consumidores. Diariamente os nutrientes do solo são medidos e a aplicação de fertilizantes acontece apenas quando identificada a necessidade. Isso reduz drasticamente o custo de produção, além de garantir mais qualidade ao produto. Os herbicidas são substituídos por ácaros predadores, que também são monitorados todos os dias. Em uma plantação convencional, os produtores chegam a fazer dez aplicações de produtos químicos. No Pimo, são apenas quatro.
A produção integrada não acontece apenas com o morango. Abacaxi, maçã e uva são exemplos da aplicação das técnicas no desenvolvimento de frutas mais saudáveis. Cada cultura possui normas específicas e, no caso do morango, os pesquisadores da Embrapa utilizaram os estudos realizados em conjunto com os produtores locais e Prefeitura no desenvolvimento das regras utilizadas para a produção da fruta. As normas foram aprovadas pelo Ministério da Agricultura no início de abril e serão utilizadas por produtores de morango de todo o país. Isso valoriza a importância de Atibaia na produção do morango e reforça a participação da cidade na discussão de melhorias na cultura. "O Pimo é para todo o país, mostra a liderança da região e que temos a possibilidade de compartilhar o resultado do esforço de várias pessoas envolvidas", diz Cláudio Spadotto, Chefe Geral da Embrapa Meio Ambiente, responsável pelas pesquisas.
Para Beto Tricoli, prefeito de Atibaia, a idéia de agregar valor ao cultivo do morango partiu dos próprios produtores. Coube então à Prefeitura buscar instrumentos que possibilitassem melhores oportunidades aos morangueiros. "A responsabilidade do município é dar suporte a melhorias e o programa é uma mudança de paradigmas", considera Tricoli.
A pesquisadora da Embrapa, Fagoni Fayer, explica que as normas para a produção integrada de frutas são semelhantes às regras estabelecidas pelo sistema de certificação ISO, cuja mais conhecida é a ISO 9001, que estabelece rotinas administrativas em empresas privadas e públicas. "A norma dá as diretrizes para a cultura. Ela mostra o que é proibido, recomendado, adequado, permitido com restrições", explica.
Segundo Fagoni, os produtores são obrigados a registrar todos os procedimentos adotados durante a produção. Isto possibilita a rastreabilidade da fruta, ou seja, a identificação de possíveis falhas presentes eventualmente no decorrer de todas as etapas da cultura. Ao final, os produtores são auditados por empresas autorizadas pelo Inmetro.
O desenvolvimento do Pimo em Atibaia foi comemorado pelos produtores. Um deles é o presidente da Associação dos Produtores de Morango de Atibaia e Jarinu, Osvaldo Maziero. Ele valoriza que a cultura tem um alto potencial de geração de empregos e por isso merece atenção especial. "O objetivo é aprimorar a nossa qualidade. A cultura do morango gera muitos empregos. Em um hectare, até oito pessoas podem ser empregadas. É uma fruta com alto poder de mão-de-obra", analisa.
Antonio Donizete de Oliveira, presidente do Conselho Agrícola de Atibaia, concorda com Maziero. Ele lembra que Atibaia já foi responsável por aproximadamente 70% da produção nacional. Até pouco tempo, explica, a região plantava 75 milhões de pés e por isso Atibaia ficou conhecida como cidade dos morangos. Hoje, são plantados apenas 15 milhões. "Retomar a produção é ser mais famoso do que já somos", analisa.
A produção integrada é uma das prioridades do Ministério da Agricultura, que financia o programa. Sávio Roberto, diretor do ministério, afirma que é preciso conciliar os desafios econômicos dos produtores, que visam o lucro, com a geração de empregos. "A fruticultura gera muitos empregos por hectare, ao contrário das grandes culturas, que são mecanizadas e empregam poucas pessoas. Entendemos a importância da soja, da cana, mas a fruticultura é socialmente mais justa que as demais. Ela precisa de mais apoio", justifica.
O diretor do ministério da Agricultura valorizou a integração dos produtores locais, da Prefeitura e da Embrapa no desenvolvimento das normas de produção integrada do morango. Ele acredita que a região possui potencial para ‘explodir’ na produção integrada. "A produção integrada pretende dar foco empresarial à cultura. A idéia é transformar o produtor em empresário rural", diz.
O morango produzido dentro das normas do Pimo será colhido nos próximos meses. O prefeito Beto Tricoli comemora. "É um grande momento, uma convergência de intenções para futuro, o protocolo para que os produtores ofereçam produto de ainda mais qualidade", afirma o prefeito.
O mercado recebeu muito bem o novo morango. Segundo Fagoni Fayer, as empresas estão dispostas a pagar mais por este produto mais saudável. "Agroindústrias e comerciantes dizem que pagam pela qualidade", enfatiza.
O estudo de adequação das normas de produção integrada para o morango acontece em Atibaia desde 2006. A pesquisa utiliza verbas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Agricultura e do Orçamento Participativo de Atibaia, que numa ação inédita, destinou 50 mil reais ao programa.
O lançamento das normas do Pimo aconteceu na última quinta-feira, 30 de maio, no Campo dos Aleixos, em Atibaia.
Fonte: Assessoria de Imprensa Prefeitura de Atibaia