5º ENCONTRO DE VERÔNICAS
14/03/2008
No proximo dia 16 de março (Domingo de Ramos) as 14:00h acontece na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo na cidade de Jarinu, o Quinto Encontro de Verônicas, ocasião em que apresentar-se-ão diversas intérpretes do Cântico da Verônica (personagem da Sexta-feira da Paixão e 6ª estação da Via Crucis), com palestra do Professor Valter Cassalho. O encontro é uma realização do Núcleo de Folclore Pé da Serra, Comissão Paulista de Folclore, Igreja Matriz N. S. do Carmo e Prefeitura do Municipio de Jarinu-SP.
A entrada é franca, ficando desde já convidadas todas as atuais e ex-verônicas de todas as paróquias e dioceses para apresentarem-se neste encontro com seus devidos paramentos e sudários.
A TRADIÇÃO DA MULHER QUE ENXUGOU O ROSTO DE JESUS
Não vos comove isto, a todos vós que passais pelo caminho? Considerai e vede, se há dor igual a minha, que veio sobre mim. (Lamentações de Jeremias - 1:12)
Quem foi este ser de luto eterno a vibrar a voz num pranto constante no alto da escadaria, durante a procissão do Senhor Morto? Afinal quem foi Verônica que canta junto com as Marias Beús?
Segundo o pesquisador Dr. José Geraldo de Souza, em "O Plangente Canto da Verônica no Vale do Paraíba", (Folclore Guarujá-SP, agosto/1991 nº 16), nos Atos Apócrifos (não autênticos) de Pilatos, designavam este pano por Berônica, Bernice ou Berenice. Destas formas originou-se "Verônica" derivada de raízes etimológicas grega e latina formando "VERA EICÓN" = VERDADEIRA IMAGEM, sendo este termo de uso bizantino a partir da Idade Média.
Portanto o nome Verônica diz respeito ao tecido, no qual estampou-se o rosto de Cristo e mais tarde passou a designar a personagem que teria enxugado o rosto do mesmo.
Por volta do século XII, Pedro di Nallio, comenta sobre uma antiga tradição, na qual Jesus permitiu a impressão de seu rosto em um lenço de linho chamado Sudário (da raiz latina sudorem - suor) no momento do encontro com as piedosas mulheres de Jerusalém. Deste linho (verônica ou sudário) foram feitas diversas cópias, como a da Basílica de São Pedro (Roma), da Biblioteca Nacional de Paris, da Igreja de São Bartolomeu dos Armênios (Gênova-Itália) e o da Igreja Del Gesú em Roma, venerado desde os tempos de Gregório XV (1621-1623). Todavia, já existia na Basílica de Roma, uma edícula destinada a relíquia, feita pelo papa João VII (705-707), a qual foi destruída em 1606, sendo erigido outro nicho logo em seguida. A cópia atual na tribuna da cúpula de São Pedro, foi posta em 21 de maio de 1606, estando em uma urna de prata, protegida por Lâminas de cristal e véu de seda.
De acordo com o cronista Grimaldi, o sudário foi entregue por testamento a Clemente I, por volta do ano 92 a 101, porém o mesmo estava em Roma desde o ano 34. Conta-se ainda que o Imperador Tibério foi curado de lepra através desta verônica (verdadeira imagem) de Cristo. Atribui-se ao Papa João XXII (1316-1334) o hino "Salve Sancta Facies" (salve santa face) consentindo indulgência a quem o recitasse olhando para ao sudário.
Na matéria "O Canto Religioso no Brasil "(Folclore 1988, nº 13, pag. 27) o autor acima citado, ressalta a veneração da Verônica na Sexta Estação da Via Crucis, numa viela da atual Jerusalém percorrida por todos os peregrinos. Além disso, cita a existência de um monumento de mármore na Basílica de São Pedro, retratando a personagem com o sudário e a inscrição de S. Verônica de Jerusalém.
A citação da Verônica está presente não apenas em textos religiosos, o próprio Dante Aligheri em "A Divina Comédia" (1307 e 1313) faz citação sobre ela ou ainda Francisco Petrarca (1304-1374) também a cita no "Canzoniere". O dr. José Geraldo de Souza ainda comenta que a Verônica é considerada a Patrona dos Fotógrafos, pois conseguiu moldar em uma chapa (lenço de linho) os traços fisionômicos de Jesus.
A Verônica representa a compaixão, a piedade, a comoção, o amor para com o próximo. Talvez esta representação seja ainda muito necessária num mundo tão individualista em que as pessoas pouco se importam com o sofrimento alheio.
Talvez precisamos deste exemplo de amor e compaixão, para que possamos enxugar o nosso próprio rosto para delinearmos melhor o nosso caminho e quem sabe ao fazermos isso nele não estará estampado a Verdadeira Imagem, ou seja, o semblante do nosso Criador.
(Professor Valter Cassalho)