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VAMOS TRABALHAR PELO TURISMO INTERNO texto: Norton Luiz Lenhart
por Elizabeth Horta Corrêa em 16/07/2005

VAMOS TRABALHAR PELO TURISMO INTERNO texto: Norton Luiz Lenhart

         Quem já leu O Espírito das Leis, de Montesquieu, sabe que esse livro é um dos fundamentos da filosofia moderna, da compreensão das sociedades modernas em seu pilar básico: o reconhecimento da diferença. Cada povo tem a sua cultura e seus costumes - e as leis são relativas a esses costumes. Há uma natureza das leis que é afim a essa cultura desses diversos povos. Para se chegar a isso foi necessário viajar, comparar, ler textos de viagens. E o turismo é, portanto, a maneira de um conhecer o outro. É uma forma de agregar valor cu1tural a si mesmo e, aos poucos, descobrir o que se é, comparando-se com os outros - e, na medida do possível, aprimorar as relações humanas por meio desses contatos múltiplos. A função turística é civilizatória, econômica e cada vez mais importante e fundamental para o mundo contemporâneo.
         Por quase todos os países do mundo o brasileiro é visto como um povo alegre, hospitaleiro, confiáve1 e trabalhador. E nós, brasileiros, talvez devêssemos conhecer mais nosso País para tê-lo na ponta da língua e, assim, ajudarmos a vender a sua imagem, pois a propaganda mais eficiente ainda é a boca a boca.
Qual o motivo? Bem, é simples: nos Estados Unidos, o turismo interno é maior que todo o movimento internacional. Portanto, antes de multiplicar o fluxo turístico internacional aqui, precisamos garantir a multiplicação desse turismo interno e nos certificarmos que os visitantes brasileiros estejam encantados com o Brasil. Para chegar a esse encantamento, porém, precisamos que o turismo interno seja melhor, mais barato, de boa qualidade e que crie mais atrativos do que outros países. Só então iremos utilizar o turismo planejado como um grande captador de divisas para o País.
         E, para que possamos garantir esse turismo interno, é fundamental que o governo garanta condições macroeconômica saudáveis. Só é possível aumentar o número de visitantes internos com estabilidade econômica e comprometimento. Havendo esse compromisso do governo em manter condições como taxa de juros razoáveis, certamente haverá mais gente viajando e mais pacotes que possam ser facilitados.
         Portanto, repito que o turismo é uma função econômica que consegue agregar lazer, cultura e economia. os recursos disponibilizados na melhoria de aeroportos, terminais rodoviários, estradas, restauração do nosso patrimônio histórico, em obras de saneamento básico. São investimentos que beneficiarão diretamente as populações das cidades turísticas e o nosso País, pois sabemos que o turismo cresce à medida que aumenta a qualidade de nosso receptivo. Devemos, portanto, fazer um esforço coletivo para aumentar a nossa competitividade com a melhor qualificação de pessoal e me1horia dos equipamentos.
          Ações ousadas são necessárias para o desenvolvimento de nichos turísticos. Para alcançar as metas traçadas, precisamos ter uma política que envolva todos os agentes públicos e privados e diversificar o produto Brasil para todos os lados e eixos onde se têm imensos potenciais para as diversas formas de turismo. O objetivo é desenvolver o setor como uma atividade econômica sustentável, com papel relevante na criação de postos de trabalho e na inclusão social.
          Temos de motivar o turismo sem que nenhum município se sinta menosprezado, implementando uma política íntegra e integradora, para que todos sejam atendidos e beneficiados. Devemos ampliar significativamente os investimentos, apresentando a imagem de um Brasil alegre, jovem, diverso cultural e ambientalmente mas, ao mesmo tempo, precisamos apresentar a imagem de um País trabalhador, participativo, cada vez mais democrático, consciente de seu papel no futuro da América Latina e do mundo.
          Assim vamos promover as nossas praias, nossas festas, nossa cultura, nossa religiosidade – e, ao mesmo tempo, vamos mostrar nossa indústria, nossa produção agrícola, nosso comércio diversificado, nossa produção científica e tecnológica. Temos, sim, de apoiar a realização de eventos no País e buscar captá-los onde for possível.
          O Plano Nacional do Turismo e, certamente, o fruto de uma construção coletiva e um chamamento à sociedade brasileira, ao setor privado, às Organizações Não-Governamentais para que, juntos, façamos tudo aquilo que sonhamos. E devemos ter a consciência de que este não é apenas o plano do governo para o turismo, mas é o plano do Brasil para o Turismo.

Norton Luiz Lenhart é presidente da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, presidente da Câmara Empresarial de Turismo da CNC e membro da organização Mundial de Turismo.

Publicado na edição de 12/07/2005 do caderno Viagem & Aventura d’O Estado de São Paulo.



:: Sobre o Autor

Conselheira do setor do Meio Ambiente - COMTUR/gestão 2004-2006, integra o Conselho Diretor do Grupo dos Amigos da Serra - G.A.S., coordenadora do Gerando Renda com Renda-Nhanduti de Atibaia

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