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Manual prático e poético de instruções para Sacralizar uma Floresta autor: Fábio Malavoglia
por Elizabeth Horta Corrêa em
12/06/2005
Chame um sheik, um pai de santo, um babalorixá. Vá falar com o padre da paróquia, vá rezar no templo dos budistas, mande cartas aos taoistas, peça apoio aos ortodoxos, não esqueça os evangélicos, a umbanda, o candomblé, tudo aquilo que tem fé, e dos índios os pajés. Sacerdotes e xamãs, e dervixes e rabinos, e templários e gurus e aqueles que ainda oram à Mãe Terra e a Cibele, ao espírito das Águas, Cristo e Abraxis e Krishna, Shiva Zeus ou Oxalá. Marque a data, a hora e onde se reunir junto às sagradas fontes d'água e altaneiras matas puras a salvar. Chame as fotos e os jornais, anuncie pela InterNet, vá ao rádio e à TV, ponha a boca no trombone e com voz bem alta chame uma inédita e não vista cerimônia e sagração da eterna primavera de um bosque, ou da floresta, capoeira ou pé de mato, de uma árvore que seja, se for bela e venerável. Faça bem de modo que saibam mundo e arredores da região e os moradores que o Verde abençoado e por todos os prelados na tal data consagrado numa pública sessão, num evento comentado, anunciado e ecoado, é a partir deste momento protegido dos guardiões, de Tupã e de Xangô, e de Alá como Jeová, declarado claramente pela alta autoridade do Espírito presente para todos os efeitos como Santo e assim Sagrado, e que a mão da Divindade, Uma Só com Muitos Nomes, seja Buda ou Maomé, Manitú ou Inti Raimi está lá e tudo vê, e que aquele que ousar iniciar ou prosseguir com a Morte pela Mata, pela Mata será Morto, e que há excomunhão, penitência e danação, e o Inferno Motoserra para as almas dos humanos que a cupins se reduzirem. Que os Demônios, que os Gárgulas de Igrejas, que os Exús assustadores sejam postos nas fronteiras, nas passagens pelas trilhas, nos remotos belvederes, como Marcos dos Poderes, como Textos Sacrosantos, como Símbolo e Tabu, tal qual era o bom costume dos prudentes Ancestrais, e que a todos se dêem novas, e notícias e jornais, pois Imagens como estas sobre as almas de meu povo têm efeito de espantar, alertar, impressionar, e embora mesmo assim haja aqueles que irão prosseguir a destruição sem sequer se questionar, mais difícil vai ficar a tarefa de matar, dia a dia mais rejeitada, nessa Hora Planetária pela nossa Resistência nessa Rede pela Vida. Fabio Malavoglia, 00:51, 09/06/2005, para a Resistência em Rede
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