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Jaguamimbaba, Mantiqueira e Lopo - por Valter Cassalho
por Fernando Emanuel Mamede em
02/06/2005
O lado paulista da Serra da Mantiqueira era conhecido nos primórdios do Brasil como JAGUAMIMBABA, cuja tradução em dicionários da língua Guarani - jaguá traduz-se por cachorro e mimbá por animal domesticado. Já na língua Tupi Jaguapeba seria cachorro pequeno e Jaguará traduz-se tanto por onça como cachorro, sendo que mimbaba equivale a animal de criação ou doméstico. Assim a tradução mais próxima seria de cachorro domesticado ou de criação, carecendo no entanto de novos estudos para relacioná-lo com a tradução para onça. Com certeza nestas regiões existiram em abundância ambos os animais, ou seja, os cachorros do mato e as onças. Estando isso claro em nossa região em dois nomes, Jaguary (antiga Bragança Paulista) como Rio das Onças e o nome Lopo que vêm do latim lupus e significa lobo, possivelmente alusivo a quantidade destes animais (lobos guarás e outros) na região. O nome LOPO também pode advir do sobrenome de antigas famílias que habitavam a região, pois em 1771 aparece um personagem nas cercanias com o nome de Lopo dos Santos Serra. No entanto, há muito tempo já havia referência ao nome desta serra, pois em 1601 a expedição de Francisco de Souza passou pela região conhecida como Morro do Lopo. Na antiga Conceição do Jaguary (Bragança Paulista), Nelson Silveira Martins e Domingos Laurito (Bragança 1763 a 1942) falam de aldeias enfeitadas de penas por volta de 1765 na Serra do Lopo, em seus dizeres: "O carro de boi varou florestas. Transpôs os ribeirões das Araras, do Pântano, Varginha, do Pinhal e do Jaguari. Subiu nos barrancos da Serra do Lopo. Povoou de ruídos os campos verdoengos. E de susto as aldeias enfeitadas de penas". Waldomiro Franco da Silveira diz em seus escritos: "Em 02 de fevereiro de 1746, Justo Domingues Maciel obtém uma sesmaria de uma légua em quadra na paragem chamada Numbuca. Essas terras situavam-se nas proximidades do MORRO DO LOPO..." Em 1786, Jacinto Rodrigues do Prado foi nomeado Capitão para o bairro do Lopo. "Em 1791 Lino José de Morais obtém meia légua por uma, no bairro de Jacareí e Cachoeira, no sertão do Morro do LOPO". Quanto a serra da MANTIQUEIRA (do tupi "a água verte" ou goteja) pode ser definida como um conjunto de escarpas e serras alongadas, alinhadas na direção NE-SW. O relevo é caracterizado por vertentes abruptas e vales profundos. Também pode ser conceituada como um conjunto de montanhas que vão do Estado de São Paulo até a Bahia, com porções em Minas Gerais e Rio de Janeiro, no que se chama de segundo degrau do Planalto Brasileiro (o primeiro é a Serra do Mar). É uma unidade de relevo geologicamente muito antiga, originada por falhamentos da crosta terrestre por movimentação no sentido vertical. Em Minas Gerais subdivide-se nas Serras do Espinhaço, Curral, Itabirito, Ouro Branco e Moenda entre outras. Nesta serra situam-se o Pico da Bandeira (2.980m) e Agulhas Negras (2.787m). O nome JAGUAMIMBABA é citado na fundação de Guarulhos (1560), observando que "as minas foram descobertas em 1590 por Afonso Sardinha, na atual região do Bairro das Lavras, cujas antigas denominações eram Serra de Jaguamimbaba, Mantiqueira e Lavras-Velhas-do-Geraldo. Também há referência na home-page BRASIL: - cronologia de 500 anos de mineração (período 1494/1803), citando o ano de 1652. "Nessa época, as jazidas de ouro em lavra situavam-se em Jaraguá, nas proximidades de São Paulo; Serra da Jaguamimbaba, hoje Serra da Mantiqueira, no local denominado Lagoas Velhas do Geraldo; Freguesia de Guarulhos, São Paulo". Em Vida e Morte do Bandeirante (1980), relata "embora entrevisto desde 1597 em Jaguamimbaba, Jaraguá, Biraçoiaba, Vuturana, só nos últimos anos do século XVII e na alvorada do século seguinte, o metal fabuloso se deixará surpreender em Cataguazes..." No site www.unisal-lorena.br, refere-se a esta montanha da seguinte forma: "Em 1560, o governador geral Mem de Sá, tendo expulsado os Franceses da Baía de Guanabara, deteve-se na Capitania de São Vicente (...), os sertanistas percorrem trezentas léguas de sertão em busca de ouro e prata. Partindo de São Paulo e passando por Mogi das Cruzes, desceram o rio Paraíba, guiados pelos índios até a paragem de Cachoeira, onde encontraram o caminho que atravessava do litoral para a serra acima e tomando por esse caminho subiram a serra de Jaguamimbaba (Mantiqueira)". Não sei precisar quando estes nomes se fundiram ou melhor, quando toda a montanha passou a chamar-se Mantiqueira, sumindo assim a antiga Jaguamimbaba, no entanto, que pese bem a verdade o nome Mantiqueira reflete uma realidade e uma advertência, ou seja, A ÁGUA VERTE, porém verterá até quando se continuarmos destruindo as matas de Jaguamimbaba? Texto cedido por Valter Cassalho para Fernando Emanuel Mamede |